Dromos

A série de pinturas que André Silva apresenta intitulada Dromos constitui uma metáfora entre a dromomania (compulsão para caminhar) e os efeitos de aceleração e velocidade nas sociedades contemporâneas. Desta forma, o artista desenvolve o conceito de psicocartografias. A pintura é construída por várias camadas de cores transparentes e opacas, as quais são submetidas a um tratamento gráfico. O vocabulário utilizado revela diferentes formas de abstracção e combina campos de cor que se estendem assimetricamente com linhas dinâmicas no espaço pictórico. Neste aparente caos, o olhar oscila entre o todo e o pormenor, traça lugares reais e imaginários, edifícios e disposições urbanas, é um trabalho sobre a fantasia do escape porque retrata gestos de uma sociedade sempre em constante deslocação.

Deste modo a referência de discussão do trabalho, pode ser Paul Virilio, com os seus conceitos de velocidade, globalização e uma espécie de “desconstrução do mundo”. Um mundo percebido com a velocidade, procurando um código para representar os territórios, traduzindo a sensação através de um sistema de sinais e de cores, realizando uma reconstrução dos territórios para em seguida os desconstruir. Reflecte um relacionamento apressado, composto de cruzamentos, dos desengates de um itinerário que nunca se transforma em viagem, e de percepções que nunca são transformadas em relacionamentos com lugares, que nunca constituem um “lugar”.

 

Vistas da exposição na Galeria 24b, Oeriras, 2006

 

Dromos
Dromos
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